terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O Doutor Jivago - Boris Pasternak


Essa foto não foi tirada por mim. Roubei de alguém aí da internet. Isto porque o livro que está comigo é daqueles reencapados com uma cobertura marrom bem sem graça; o que é muito chato pra mim, que reparo muito nas capas.
Nem sei porque estou aqui escrevendo quando tenho prova de cálculo luminotécnico amanhã de manhã, e ainda nem cheguei na metade do livro, que tem 560 páginas, mas...
Estava lendo quando, de repente, me dei com algo bem parecido com o que Nietzsche chama de "Eterno Retorno":

"Mas uma vida sempre idêntica e infinita é o que enche o universo e se renova, de hora em hora, em inúmeras combinações e metamorfoses. Tu, por exemplo, indagas com inquietação se vais ressucitar; no entanto, já ressucitaste quando naceste, sem mesmo o teres percebido."

Depois continuo.
=*

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón



Eu não sou muito de Best-Sellers, mas foi difícil passar indiferentemente pela prateleira dos mesmos quando, de relace, vi essa capa e título: "A Sombra do Vento". Esses oximoros sempre me prendem a atenção. Li a primeira página, e as próximas 200, de uma vez. Só parei porque tenho que terminar um projeto para quinta, que é depois de amanhã. A narrativa prende o leitor por veriados fatores, como: a ironia de que está impregnada, a linguagem, que consegue ser extremamente elaborada e poética, sem ser chata e a variedade de estilos literários que reune coerentemente.

Alguns trechos interessantes (desconexos - cada um pertence a um momento da narrativa):

"Este mundo não vai acabar por causa da bomba atômica, como dizem os jornais, vai acabar, sim, por tanta risada, de tanta banalidade, por essa mania de se fazer piada com tudo, e além do mais, piadas ruins."


Eu tive a nítida sensação de estar lendo "Os Miseráveis", de Victor Hugo, em trechos como esse:
"A praça de San Filipe Neri é apenas uma trégua no labirinto de ruas que se intercalam no bairro gótico, escondida atrpas das velhas muralhas romanas. os buracos das balas de metralhadora dos dias de guerra salpicam as paredes das igrejas. Naquela manhã, um grupo de crianças brincava de soldadinho, indiferente à memória das pedras."


"- Não se ofenda, mas às vezes a gente se sente mais livre para falar com um estranho do que com as pessoas que conhecemos. Por quê será?
Dei de ombros.
- Provavelmente porque um estranho nos vê como somos, não como deseja achar que somos."


"-Alguém disse um vez que na hora em que se pára para pensar se gosta de alguém, já deixou de gostar da pessoa para sempre."


"Um bom pai?
-Sim. Como o seu. um homem com cabeça, coração e alma. Um homem que seja capaz de escutar, guiar e respeitar uma criatura, e não de afogar nela os próprios defeitos. Aguém de quem um filho não goste apenas por ser seu pai, mas que o admire pela pessoa que é. Alguém com quem queira se parecer."

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Recordações da Casa dos Mortos



O que faltava desses 6.
(depois escrevo sobre)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Existencialismo é um Humanismo


A existência, conceituada pelo existencialismo, seria exclusividade do ser pensante e consequência do sentimento de existir, logo, exclusivamente típica do homem. Sob esse raciocínio, as coisas e animais não dotados de racionalidade não seriam mais que essências imutáveis, enquanto o homem teria o poder de automoldar-se. Há de convir-se, portanto, que a vida de um inseto, por exemplo, não lhe seria penosa, uma vez que não corresponderia a nada mais que uma forma pura, incapaz de encerrar qualquer noção de tempo, mutação ou consciência do absurdo de sua existência. A existência, precessora, e formadora da essência, só seria aplicada aos seres capazes de avaliá-la, cônscios ou não dela. No trecho seguinte, retirado do livro "A Náusea", há a evocação da máxima "Penso, logo existo", de Descartes, moldada à luz do Existencialismo, sitetizando a idéia exposta acima:

"Meu pensamento sou eu: eis por que não posso parar. Existo porque penso... e não posso me impedir de pensar. Nesse exato momento - é terrível - se existo é porque tenho horror a existir. Sou eu, sou eu que me extraio do nada a que aspiro: o ódio, a repugnância a existir são outras tantas maneiras de me fazer existir, de me embrenhar na existência."

"Sou, existo, penso, logo sou: sou porque penso, por que penso? Já não quero pensar, sou porque penso que não quero ser, penso que eu... porque...bah!"

Então, é possível constatar uma aparente incoerência no episódio ocorrido em um dos encontros do Autodidata com Roquentin, narrado no livro "A Náusea":

"Há um círculo de sol sobre a toalha de papel. No círculo uma mosca se arrasta entorpecida, se aquece e esfrega uma na outra as patas dianteiras. VOU LHE FAZER O FAVOR DE ESMAGÁ-LA. Ela não vê surgir o indicador gigante, cujos pêlos dourados brilham ao sol.
-Não a mate, senhor! - exclama o Autodidata.
A mosca rebenta, as tripinhas brancas emergem de seu ventre; LIBERTEI-A DA EXISTÊNCIA. Digo secamente ao Autodidata:
-ERA UM FAVOR A PRESTAR A ELA."

A libertação do inseto de sua existência, nesse caso, poderia parecer absurda, pois a penosidade de existir não se estabelece em seres não pensantes. Há, ainda, o fato de que a existência ocorre exclusivamente a estes, logo, a mosca nem mesmo seria portadora de uma existência. Entretanto, a existência, nesse caso, é apenas um sinônimo de vida, uma referência ao ato de existir, não estando imbuída do conceito existencialista atribuído ao nome. O protagonista, portanto, é quem avalia e condena a essência do inseto como uma prisão e julga-se apto, ou ainda, portador do direito de retirar-lhe a aparência, a essência. Logo, subentende-se que ao HOMEM a quem é revelada a gratuidade e absurdo da existência, é legítimo o direito de INTERFERÊNCIA em outras existências ou essências. Dentre essas interferências constaria, inclusive, o poder de extinguir vidas, libertando-as do estado nauseante a que estão presas.

“Eles não estão errados em sentir medo: sei bem que seria capaz de qualquer ato. Por exemplo: enfiar essa faca de queijo no olho do Autodidata. Depois disso todas essas pessoas me pisoteariam, quebrariam meus dentes com pontapés. Mas não é isso que me detém: não faz diferença um gosto de sangue na boca em lugar desse gosto de queijo. SÓ QUE SERIA NECESSÁRIO FAZER UM GESTO, DAR ORIGEM A UM ACONTECIMENTO SUPÉRFLUO: SERIA INDESEJÁVEL O GRITO QUE SOLTARIA O AUTODIDATA - E O SANGUE QUE ESCORRERIA EM SEU ROSTO E O SOBRESSALTO DE TODAS ESSAS PESSOAS. Já há coisas suficientes sem isso.”

Nesta passagem fica claro que o que impede Roquentin de cometer uma grande violência contra outro indivíduo não é a consciência moral, legal ou de qualquer espécie, mas puramente a impropriedade, ou até mesmo incômodo de ter que promover um acontecimento que, sobretudo, é considerado SUPÉRFLUO. O homem é o centro de todas as coisas, possuindo o poder de alterá-las segundo o que melhor lhe convir.

Essa plenitude de poder de decisão conferida ao homem remete o existencialismo ao antropocentrismo e, consequentemente ao Humanismo. Em primeiro momento salta uma antagonia entre as duas correntes: enquanto o Humanismo representa uma concepção do mundo centrada na crença no homem, o Existencialismo traz uma visão niilista, pessimista e misantrópica do indivíduo e a incongruência nauseante de sua existência. Em vários aspectos esses pensamentos realmente se contrapõem, entretanto, são concernentes no aspecto fundamental: a centralidade do homem e seu poder decisivo e moldador do universo.

No livro “A Náusea”, essa relatividade entre as duas correntes filosóficas é representada pela amizade entre o Autodidata, personificação do Humanismo, e Roquentin, representante da visão Existencialista.

Roquentin:
"-é porque estou pensando - digo rindo - que aqui estamos, todos nós, comendo e bebendo, para conservar nossa preciosa existência, e que não há nada, nada, nenhuma razão para existir."

Autodidata:
"-Há uma finalidade, senhor, há uma finalidade... há os homens."

Conciliação de ideologias:
"O misantropo é o homem: portanto, em certa medida é preciso que o humanista seja misantropo Mas é um misantropo científico, que soube dosar seu ódio, que só começa por odiar os homens para amá-los melhor depois.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

J. P. Sartre



Primeiro romance de Sartre, A Náusea (cujo título inicial era Melancolia) foi escrito em 1931 e publicao em 1938. A sugestão veio de um quadro de Albrecht Dürer, pintado em 1514. A temática da obra consiste, fundamentalmente, no existencialismo representando pela visão niilista, pessimista e misantrópica de Antoine Roquentin, um historiador de 35 anos que se refugia na província de Bouville para escrever a biografia do marquês de Rollebon.


Melancolia - Albrecht Dürer

O protagonista, que desenvolve a narrativa por meio de um diário, dedica-se à observação das várias existências que o circundam, convencendo-se cada vez mais da idéia de que a existência é gratuita, absurda por sua falta de fundamentação; o que o leva a ser acometido por uma estranha sensação de aversão ao ser humano e sua condição existencial - a "náusea".
Outro aspecto fundamental na obra é o caráter intencional da consciência. A visão de que qualquer modo de consciência é representativo ou revelador de algo fora dela mesma, daí dizer-se que a consciência é intencional. Nesse sentido, os indivíduos observados por Roquentin são sempre apontados como portadores de uma inconsciência de sua existência, o que ocorre por meio da metáfora do sonambulismo – por várias vezes os indivíduos observados são descritos como imersos em uma espécie de sono.

Sobre um grupo de burgueses:
“Em alguns rostos, mais expressivos, tive a impressão de ler um pouco de tristeza: mas não, aquelas pessoas não estavam nem tristes nem alegres: repousavam. (...) apenas sua respiração regular e profunda como a de quem dorme, confirmava que estavam vivos.”

Sobre o Sr. Fasquelle, gerente do café Mably:
“Sorrio ao vê-lo tão vivaz: nas horas em que seu estabelecimento se esvazia, também sua cabeça se esvazia. De duas às quatro o café fica deserto; então o Sr. Fasquelle dá alguns passos, como que idiotizando, os garçons apagam as luzes e ele mergulha na inconsciência: quando fica sozinho, esse homem dorme.”

Consideração do protagonista:
"Gostaria tanto de me abandonar de deixar de ter consciência de minha existência, de dormir. Mas não posso, sufoco: a existência penetra em mim por todos os lados, pelos olhos, pelo nariz, pela boca (...)"

Segundo Francis Jeanson, o romance apresenta a concepção de absurdo e contingência de Sartre. A confrontação do protagonista com o vazio existencial de todas as coisas e a conclusão de que a existência precede a essência (um dos princípios fundamentais do existencialismo sintetizada na notável definição de Sartre “A existência precede e governa a essência”), tornam o absoluto em absurdo, uma vez que toda a realidade é incerta ou contingente.

“Mas no próprio âmago desse êxtase, algo de novo acabava de surgir; eu compreendia a Náusea, possuía-a. A bem dizer, não me formulava minhas descobertas. Mas creio que agora me seria fácil colocá-las em palavras. O essencial é a contingência. O que quero dizer é que, por definição, a existência não é a necessidade. Existir é simplesmente estar presente; os entes aparecem , deixam que os encontremos, mas nunca podemos deduzí-los. Creio que há pessoas que compreenderam isso. Só que tentaram superar essa contingência inventando um ser necessário e causa de si próprio. Ora, nenhum ser necessário pode explicar a existência: a contingência não é uma ilusão, uma aparência que se pode dissipar; é o absoluto, por conseguinte e gratuidade perfeita. Tudo é gratuito: esse jardim, essa cidade e eu próprio.”

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Caleidoscópio



Ler esse livro foi tão proveitoso quanto ver uma novela da Globo, mas essas inutilidades são sempre muuuuito legais.
Adorei! Li em dois dias. Esse tipo de historinha faz a gente ficar curiosa mesmo! Foi mais legal que o final de "A Usurpadora", garanto! E olha que eu gostei dessa novela! heuheuhuehee

sábado, 19 de setembro de 2009

Fatos e Homens da Segunda Guerra



De todos que já li sobre a Segunda Guerra, esse livro é meu queridinho e, por isso, dessa vez já é uma releitura. Talvez porque fuja da composição tradicional: o livro é composto por uma coletânea de reportagens publicadas na revista Manchete, que eu nem cheguei a conhecer, entre os anos 1961 e 1966, como consta no prefácio. E tais reportagens são de cinco pessoas diferentes, ou seja, vários pontos de vista, o que pode ser confirmado pela divergência, até mesmo em alguns dados apresentados. Entretanto, não se estabelece uma incoerência, já que há uma compatibilidade no ideologia fundamental: todos são grandes admiradores das tropas Aliadas, como é de se esperar de brasileiros.
Gosto, principalmente, das partes que tratam de estratégias de aparente auto-sabotagem, como a já muito conhecida tática da "terra arrasada", por exemplo, e de armas:

-ESTRATÉGIAS:

"A 19 de agosto, os próprios russos confessavam sua retirada da Ucrânia deixando um rastro de escombros e cinzas aplicando a tática de "terra arrasada". Com essa tática os soviéticos destruíram todas as plantações , deixando ao inimigo apenas ruínas."

"De Vichy, o Marechal Pétain lança um protesto e os alemães aproveitam o pretexto para ocupar a chamada Zona Livre da França. É então que ao largo de Toulon, os navios de guerra Franceses, SABOTADOS POR SEUS OCFICIAIS, vão ao fundo, assim evitando que caissem nas mãos dos nazistas e pudessem ser por eles utilizados contra os aliados, ou seja, contra os próprios interesses nacionais da França."

" A 21, os russos perderam Kerson, na foz do Dnieper. Três dias depois, por ordem telefônica, o próprio Stalin determinou que fosse dinamitada a famosa represa do Dnieper, inundando toda a região, na qual centenas de milhares de civis russos pereciam afogados. tão extrema medida era o único meio de retardar o avanço do Exército Alemão."

-ARMAS:

"Os alemães, porém, surpreendidos nos primeiros momentos, agora resistiam com tenacidade redobrada e a 16 de junho lançaram na guerra um engenho surpreendente, diretamente contra a Ingleterra: as famosas bombas voadoras de terrível poder destruidor, conhecidas como V-1 contra as quais eram nulos os meios defensivos dos britânicos."


Bomba V-1 - fonte:www.projetozk.ufjf.br

"A Inglaterra, entretato, vina sofrendo em seu território as consquências de uma nova arma contra ela lançada pelos alemães a bomba V-2, imcomparavelmente mais devastadora que a bomba voadora V-1."


Bomba V-2

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"A Peste" - Albert Camus



*Capa de Eugênio Hirsch. Esse mereceu ser citado, e como! Faz tempo que não vejo uma capa que expresse tão claramente as intenções de um livro como esta.

"A Peste", de Albert Camus trata, objetivamente, da Peste Negra, ou Peste Bulbônica, uma doença que dizimou váris populações ao longo da história; o que é demonstrado na passagem:
" O doutor se lembrava da peste de Constantinopla, que segundo Procópio, tinha feito dez mil vítimas em um dia.".
O romance permite várias interpretações, tanto do ponto de vista político - evidencia uma alegoria ao Nazismo ou uma resistência européia a Hítler - quanto do ponto de vista existencial - o tema da confrontação do homem com a morte e as várias reações produzidas a partir disso.
A Europa representada no livro pelo resto do mundo, em uma visão eurocentrista, isola a Alemanha, mateforizada pela cidade de Oran. Grande parte da população é dizimada pela peste, representante do Nazismo, em uma clara alusão às mortes de judeus no holocausto. Os corpos passam a ser incinerados quando as valas comunitárias deixam de suportar o volume de mortos.
A peste não é descrita, naturalmente como fatalidade que é, mas, ao contrário, é metaforizada por uma administração, uma criação, um regime, um produto.
“Não, a peste nada tinha com as imagens pomposas que haviam perseguido no começo o doutor Rieux. Era, entes de tudo uma administração impecável e prudente, funcionando bem.”
“—Não, padre. Tenho do amor outra idéia. E recusarei até a morte amar essa criação que tortura as crianças.”
Alguns personagens, ainda que diariamente expostos à doença altamente contagiosa e, aos poucos, tendo abandonado as regras de prevenção e profilaxia às quais deveriam se submeter, pareciam imunes à peste. Fato que poderia denunciar certa inverossimilhança, entretanto, essa aparente incoerência não se estabelece quando busca-se a desmetaforização da doença.
“Negligenciaram pouco a pouco as regras de higiene codificadas por eles, esqueceram algumas das numerosas desinfecções a que deviam submeter-se e, indiferentes ao contágio, chegaram-se a doentes da peste pulmonar, porque, chamados de repente a uma casa infectada julgaram fatigante ir receber nos lugares próprios as instilações indispensáveis.”
As pessoas que tinham contato com infectados eram submetidas a quarentenas, símbolo evidente dos Campos de Concentração, a liberdade de expressão foi tolhida , é decretado Estado de Sítio, entre vários outros aspectos que referenciam símbolos da ditadura Nazista, embasando a interpretação da obra sob o ponto de vista referido.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O Castelo de Vidro



Esse livro é a auto-biografia de Jeannette Walls,uma famosa jornalista norte-americana. Às vezes fica difícil acreditar na veracidade de algumas partes da história, de tão mirabolante que parecem, mas em geral o enredo prende o leitor de uma forma incrível. Você fica muito curioso para saber, não só o final, mas todos os acontecimentos em sequência.
Antes de citar algumas partes que anotei vou dar uma contextualizada: Jeannette vivia com os três irmãos, uma mãe artista muuuito relapsa e irresponsável e um pai alcólatra, que, entretanto, a seu modo os amava e a tinha como filha preferida. Eles viviam em estado de miséria e não raramente passavam muita fome e frio. As quatro crianças eram muito criticadas por serem filhas de um alcólatra, entretanto, Jeannette tentava compreendê-lo e o achava especial.



"Rimos de todas as crianças que acreditavam na lenda do Papai Noel e só ganhavam um monte de brinquedos baratos - e de plástico - de presente.
-Daqui a muitos anos quando a porcariada que eles ganharam estiver quebrada e a tiverem esquecido toda - disse ele - vocês ainda terão as suas estrelas."

"Eu ouvia as pessoas em volta de nós cochichando coisas sobre o bêbado maluco e os pestinhas dos seus filhos sujos, mas quem ligava para o que eles pensavam? Nenhum deles jamais teve a mão lmbida por um guepardo."

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Paixão Segundo GH



A partir de hoje vou tentar postar cometários sobre todos os livros que ler.
Começando por esse - "A Paixão Segundo GH", de Clarice Lispector, que terminei agorinha. Tenho mania de anotar partes que chamam a atenção e essa é uma delas:

"Já que tenho de salvar o dia de amanhã, já que tenho que ter uma forma porque não sinto força de ficar desorganizada,(...)já que fatalmente sucumbirei à necessidade de forma que vem de meu pavor a ficar indelimitada - então que pelo menos eu tenha coragem de deixar que essa forma se forme sozinha como uma crosta que por si mesma endurece, a nebulosa do fogo que se esfria em terra. E QUE EU TENHA A GRANDE CORAGEM DE RESISTIR À TENTAÇÃO DE INVENTAR UMA FORMA."

sexta-feira, 27 de março de 2009

Peludo Feitio

Emudecem-se as palavras
Ante o chiado intranqüilo da chuva
Mais uma dessas duplicidades
Dissolutas nas tempestades

Esperam em desuso
Verbos tolos e confusos,
Adormecem lentamente
Os prolixos obtusos

Só as onomatopéias respingadas
Seguem o rítimo das trovoadas,
Balanço envolvente
Das verdes folhas molhadas

Sarcasmos e descasos
Acomodam-se, desatentos
Esquecidos de si mesmos,
Absortos pelos ventos

Linhas de metáforas ,
Tecidas em silêncio
Malha encantadora e
Entrelaçada de vazios.

Só o miado do gato
Trespassava o abstrato
Obscuro pronúncio
De um peludo espalhafato.

Queria o leite
Da caneca virada
Triste existência a
Alimentar-se do nada.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Medos

Como pode a alma
deslizar pelo abismo do medo
Se, ao menos conhece o desenredo?

Enquanto a tristeza sombria
chega leve e vicia
desfazendo o firmamento
sem qualquer ressentimento

E essa lágrima em sigilo
Só mais um vício de estilo,
Outra breve digressão

Em minha doce coberta de silêncios
que mistura calmas indolentes,
espectros de vícios descontentes

Projeções de sombras do papel de parede
Misturas de aquarelas, medos e
Transtornados segredos

Pés tocando o chão gelado
entorpecendo-se de cores
que escorrem de dissabores

Irreversível velho tempo
lendo almas
antes de dormir

Não existem monstros, amigo
mas como colorir os firmamentos
se o pobre azul cinzento
se reflete de você?