quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"A Peste" - Albert Camus



*Capa de Eugênio Hirsch. Esse mereceu ser citado, e como! Faz tempo que não vejo uma capa que expresse tão claramente as intenções de um livro como esta.

"A Peste", de Albert Camus trata, objetivamente, da Peste Negra, ou Peste Bulbônica, uma doença que dizimou váris populações ao longo da história; o que é demonstrado na passagem:
" O doutor se lembrava da peste de Constantinopla, que segundo Procópio, tinha feito dez mil vítimas em um dia.".
O romance permite várias interpretações, tanto do ponto de vista político - evidencia uma alegoria ao Nazismo ou uma resistência européia a Hítler - quanto do ponto de vista existencial - o tema da confrontação do homem com a morte e as várias reações produzidas a partir disso.
A Europa representada no livro pelo resto do mundo, em uma visão eurocentrista, isola a Alemanha, mateforizada pela cidade de Oran. Grande parte da população é dizimada pela peste, representante do Nazismo, em uma clara alusão às mortes de judeus no holocausto. Os corpos passam a ser incinerados quando as valas comunitárias deixam de suportar o volume de mortos.
A peste não é descrita, naturalmente como fatalidade que é, mas, ao contrário, é metaforizada por uma administração, uma criação, um regime, um produto.
“Não, a peste nada tinha com as imagens pomposas que haviam perseguido no começo o doutor Rieux. Era, entes de tudo uma administração impecável e prudente, funcionando bem.”
“—Não, padre. Tenho do amor outra idéia. E recusarei até a morte amar essa criação que tortura as crianças.”
Alguns personagens, ainda que diariamente expostos à doença altamente contagiosa e, aos poucos, tendo abandonado as regras de prevenção e profilaxia às quais deveriam se submeter, pareciam imunes à peste. Fato que poderia denunciar certa inverossimilhança, entretanto, essa aparente incoerência não se estabelece quando busca-se a desmetaforização da doença.
“Negligenciaram pouco a pouco as regras de higiene codificadas por eles, esqueceram algumas das numerosas desinfecções a que deviam submeter-se e, indiferentes ao contágio, chegaram-se a doentes da peste pulmonar, porque, chamados de repente a uma casa infectada julgaram fatigante ir receber nos lugares próprios as instilações indispensáveis.”
As pessoas que tinham contato com infectados eram submetidas a quarentenas, símbolo evidente dos Campos de Concentração, a liberdade de expressão foi tolhida , é decretado Estado de Sítio, entre vários outros aspectos que referenciam símbolos da ditadura Nazista, embasando a interpretação da obra sob o ponto de vista referido.

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