
Eu não sou muito de Best-Sellers, mas foi difícil passar indiferentemente pela prateleira dos mesmos quando, de relace, vi essa capa e título: "A Sombra do Vento". Esses oximoros sempre me prendem a atenção. Li a primeira página, e as próximas 200, de uma vez. Só parei porque tenho que terminar um projeto para quinta, que é depois de amanhã. A narrativa prende o leitor por veriados fatores, como: a ironia de que está impregnada, a linguagem, que consegue ser extremamente elaborada e poética, sem ser chata e a variedade de estilos literários que reune coerentemente.
Alguns trechos interessantes (desconexos - cada um pertence a um momento da narrativa):
"Este mundo não vai acabar por causa da bomba atômica, como dizem os jornais, vai acabar, sim, por tanta risada, de tanta banalidade, por essa mania de se fazer piada com tudo, e além do mais, piadas ruins."
Eu tive a nítida sensação de estar lendo "Os Miseráveis", de Victor Hugo, em trechos como esse:
"A praça de San Filipe Neri é apenas uma trégua no labirinto de ruas que se intercalam no bairro gótico, escondida atrpas das velhas muralhas romanas. os buracos das balas de metralhadora dos dias de guerra salpicam as paredes das igrejas. Naquela manhã, um grupo de crianças brincava de soldadinho, indiferente à memória das pedras."
"- Não se ofenda, mas às vezes a gente se sente mais livre para falar com um estranho do que com as pessoas que conhecemos. Por quê será?
Dei de ombros.
- Provavelmente porque um estranho nos vê como somos, não como deseja achar que somos."
"-Alguém disse um vez que na hora em que se pára para pensar se gosta de alguém, já deixou de gostar da pessoa para sempre."
"Um bom pai?
-Sim. Como o seu. um homem com cabeça, coração e alma. Um homem que seja capaz de escutar, guiar e respeitar uma criatura, e não de afogar nela os próprios defeitos. Aguém de quem um filho não goste apenas por ser seu pai, mas que o admire pela pessoa que é. Alguém com quem queira se parecer."